meu cachoro morreu nesta última sexta-feira, eu queria escrever uma caralhada de coisa falando dele, mas como as pessoas acham um tanto piegas chorar a morte de um cachorrinho (afinal, o que mudaria neste mundo, não é mesmo?) então, soaria piegas. e soar piegas é pecado mortal. parecido com autocomiseração. a quem interessar o nome dele era Scoob, era tão fantástico que tinha nome de personagem de filme, parecia cachorro de filme, um super cãozinho carinhoso e doce. O Scoob chegou lá em casa e foi ficando, sabia que a gente amava ele,impôs sua presença com toda dignidade de sê-lo: perdido, abandonado, crescido e já independente. Fiquei sabendo que o último dono dele era um filho da puta que quando bebia e cheirava chutava o bichinho. Por isso era tão querido lá em casa, tinha um medo no cantinho do olho, queria muito amor sempre. Ia fazer uns dois anos que ele estava com a gente, eu nem sabia qual era a raça dele, a veterinária disse que era um Labrador, mas eu achava ele muito pequeno pra um Labrador, no meu entender era um Pinscher daqueles crescidinhos, era caramelo, tinha alma de vira-lata, espírito liberto, muito querido, corria atrás de bicicleta em movimento só pra fazer média, desviava com classe de carros na avenida, nunca fazia cocô em casa, media a quantidade certa de xixi pra demarcar território, sacaneava os cachorros presos puxando briga, não importava o tamanho, ele queria mesmo é barulho. Me acompanhava todo dia no caminho do ponto de ônibus, ficava fazendo companhia à solidão lá de casa, eu ficava tentando entender como seria a vida de um cachorro sem mãe, sem passado, sem nada, olhava pra ele e parecia que ele era feliz por isso, sempre esteve alí. E agora é passado e lembrança, nem uma foto a gente tem dele. Lá em casa estamos tristes pelo que aconteceu, não sabemos que bicho mordeu o Scoob, ele não aguentou e morreu.
pela memória de um cão que trouxe muita alegria e vai embora sem merecer, parte sem despedida, fica no coração de todos que o conheceram. Meu único cachorro mais querido do mundo. o Scoob, ou Bidú para os íntimos.
